terça-feira, 26 de outubro de 2010

O que o cabelo fez para ser chamado de ruim?

Ao passar pelo blog de meu amigo Marcio Macedo (new york Kibe) que eu adoro ler.Fiquei boba com o Post "Vai um cabelo ruim ai".Onde vemos a real visão do Brasileiro sobre cabelos. Assistam o vídeo.
Há quase 6 anos uso meu cabelo crespo e confesso que ainda não me acostumei com as diversas reações das pessoas.Não quero criar nenhum tipo de discussão com as mulheres negras que alisam o cabelo.Acho que seria a ter outro preconceito de minha parte.
Mas a ditadura do cabelo liso vem se arrastando por anos e anos e como toda mulher que se preze com certeza você não gosta de algo em você.Nas mulheres negras 80% com certeza responderão que não gostam de seu cabelo.
A real é que temos uma visão preconceituosa sobre cabelos no Brasil.
Eu particularmente odeio qd falam que meu cabelo e ruim.Então existe em meu corpo uma parte que não presta e que tem que ser exterminada com o bom e velho alisante.



Eu como a maioria das meninas negras não gostava de meu cabelo.E minha mãe logo resolveu este problema me levando ao salão para um bom tratamento capilar. Lembro como se fosse hj,sair do salão e pela primeira vez sentir o vento em meus cabelos. Como foi bom sentiu-lo e ter a ilusão que todos meus problemas acabariam naquele dia. O cabelo é a moldura do rosto e para alguns a beleza máxima da mulher, A apresentadora Regina Casé em uma entrevista disse que o brasileiro não tem preconceito "ele tem preconceito de cabelo". Se você é negra, mas tem o cabelo liso, tudo bem você é igual a uma mulher branca. Mas se você é negra e tem o cabelo "Pixaim" amiga você tem um grande problema. Grande ilusão, o preconceito chegará em sua vida de qualquer maneira. Com ele liso ou crespo. Acho que para mim a decisão de não alisar mais meus cabelos, foi a mais difícil de ser tomada. Depois de todas as críticas foi libertador. Como se toda a verdade me forjasse mais mulher, mais negra mais livre. Livre do ferro e dos grilhões dos colonizados. Foi a minha alforria da beleza. O vento desta vez soprava forte e pela primeira vez eu realmente o senti de verdade.

O mercado para cabelos Afro cresceu muito e hoje há produtos realmente qualificados para soltar suas madeixas. O problema não é alisar o cabelo, mais sim despreza o crespo que sempre fará parte de você. Sacrificar a sua diversidade e a sua beleza natural. A saúde de seu cabelo. Pois vale muito mais um cabelo liso todo queimado nas pontas e desidratado do que o seu cabelo natural "ruim".
Músicas racistas somente agregam o preconceito sobre o cabelo Afro. Ja escutei de muitas negras as seguintes frases: "nossa queria ter a coragem de deixar meu cabelo que nem o seu"."Nossa porque você não passa um alisante neste cabelo vai ficar linda." Caralho eu sou linda assim mesmo.




Acho que temos que mudar está imagem. E passar para futuras gerações o orgulho que temos um cabelo tão bom quanto os outros. Fico realmente triste quando vejo crianças tão novas usando química no cabelo. Isso é um crime. A ditadura da beleza está diretamente ligada a tv e as revistas de beleza. Se você vê um personagem na rede Globo que tem o cabelo Black Power você começa a achar normal. Se não tem está referência todos de black que você encontra na rua estão fora do padrão de beleza.




Queridas mamães negras mesmo que sua filha quando crescer queira ficar com o cabelo igual da Xuxa, façam que elas tenham orgulho de seus cabelos. De sua cor e toda uma história de preconceito. Minha mãe sempre escondeu de mim o racismo. Não a culpo pois toda mãe quer proteger seu filho, mas acho que seria mas forte se soubesse toda a verdade enquanto era nova. Pois quando você cresce e ver a realidade doí muito mais. E ver que tudo que você acreditou era uma ilusão. As princesas são brancas do cabelo liso e o príncipe não vai nem olhar para você. Quando eu era criança um menino disse que não iria dançar quadrilha comigo pois eu era feia, negra e tinha o cabelo duro. Nossa guardei isso comigo por um bom tempo, mas superei o trauma e me orgulho da minha cor e do meu cabelo. Já ensino para meu filho (Rakim) ter orgulho de seu cabelo e de suas origens. Pois ele vai saber usar suas armas se um dia o racismo chegar em sua vida.
Não vamos ser hipócritas, cabelo crespo dá trabalho. Claro que dá. Mas com certeza dá menos trabalho que ficar alisando em 3 em 3 meses. Então minha queridas irmãs. Liberdade para seu cabelo. Diga não a ditadura do cabelo liso. È nega do cabelo duro é a Puta que te Pário.
 "Quem é é quem não é cabela avoa"


3 comentários:

  1. Acho muito bom seu comentário, eu tenho cabelo pixaim e realmente aceitá-lo faz parte de nossa identidade. Só que para mim é impossível não alisar, até porque no natural, ele embaraça muito e quebra demais, estava traumatizada por isso, imagine um cabelo que cresce muito e quebra a metade, ou mais que isso? Nenhum creme resolve, só alisante. Mesmo assim, ele não fica liso como espera a maioria, nada disso,ele fica um pouco comportado, (um pouco durante um pouco de tempo) Depois ele arma bastante, como tenho o rosto pequeno abaixar um pouco, é necessário, mas, em geral assumo bem ele ser afro. De vez em quando deixar com chapinha é legal só para mudar um pouco, embora em geral eu o prefira natural.

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  2. Ameii o texto!!! Sou negra de cabelo crespo, e sempre fiz processos quimicos no meu cabelo, todos que possa imaginar. De um mês pra cá ressolvir libertar minhas madeixas e deixa-los natural, confesso que no começo foi muuuito dificil, pois sempre usei cabelos caidos para baixo, com balanço... Todos achavam lindo! Foi quando percebi que meu cabelo não era nada daquilo que eu o forçava a uma realidade totalmente diferente do natural; meu cabelo é armado, não tem balanço, e cresce cada vez mais para cima, um bleck power nato. Mas com o tempo fui me acostumando, e descobrindo produtos que os deixavam mais bonito. Na verdade eu me adaptei a ele ao em vez de querer adapta-lo para o "padrão de beleza" que a sociedade impõe. ainda sofro diversos tipos de preconceito, mas não ligo, o importante é que estou me sentindo muito bem com meu cabelo, e não me vejo mais sem ele!

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