quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um Tal Dom Casmurro


Um Tal Dom Casmurro

  Lembro como se fosse hoje, o meu primeiro livro, eu andava pelas ruas com uma sensação de poder em minhas mãos e um orgulho aparente em meu rosto. O titulo era "A marca de uma lágrima" a história de uma menina e seus dilemas adolescentes, ela era o patinho feio, apaixonada pelo menino mais bonito da escola,  escrevia cartas de amor usando o nome da amiga.  Era um verdadeiro dramalhão mexicano. Acho que houve uma identificação com a personagem, pois  na época minha vida era um "drama mexicano". 



Percebo hoje como aquele livro era bobinho mas foi fundamental em minha vida, desde daquele dia nunca mais deixei de ler. A leitura hoje faz parte de mim e assim como meu humor escolho os títulos e os autores dos livros. Se estou feliz leio Dosto se eu estou triste passo longe dos crimes e castigos da vida.
Dentro de casa não existia muito incentivo visual para a leitura. Mamãe  ficou muito feliz quando eu comecei a ler. Ela ficou encantada como eu gostava de livros e como fui modificada por eles.

Um belo dia me indicaram um livro chamado Dom Casmurro. Puxa vida que livro chato! Não conseguia entender porque ele era chamado de clássico. E assim como comecei, terminei com muita frustração, um caso de amor que nem tinha que ter começado.





O tempo passou e aquela menina que gostava de romances em um belo dia reencontrou o Tal Dom Casmurro na estante. Suas páginas estavam amareladas do tempo e assim como ela, ele também tinha envelhecido. Não sei qual o motivo que resolvi dar uma segunda chance para aquele cara. Como se fosse um recomeço de um namoro mal resolvido, que depois de dez anos, resolveu dá uma segunda chance.
Ao ler novamente Dom Casmurro percebi como eu tinha crescido. E me perguntei aonde estava que não tinha gostado daquele livro. Quais eram minhas condições intelectuais naquela época? Qual era o meu amor mal resolvido? O que eu tinha na cabeça que não gostei daquele bruxo velho? Puxa que livro sensacional, seus personagens, seu vocabulário, uma magia que eu nunca tinha lido nada igual. 


E de um namoro mal resolvido eu e o Sro Casmurro quase nos casamos. Se não fosse uma moça chamada Capitu, que atrapalhapalhou nossos planos, hoje quem sabe teríamos até filhos. Eu já reencontrei com ele outras vezes. E em todas às vezes confirmo o meu amor.
Esse ano entrei na onda de um tal de Sro Cinza e confesso que fiquei totalmente apaixonada por ele. Seu charme, seu mistério e sua riqueza me encantaram.
Minhas amigas intelectuais, feministas e revolucionárias me malharam pela escolha do livro. Mas como disse minha amiga Marcelle Linpias "eu odeio preconceito literário".


Porem o meu namoro com o Sro Cinza não deu muito certo, não pelo tal preconceito literário, mais sim pela falta de dialogo entre nós. Era muito sexo e pouca conversa. Comecei acha-lo meio bobo e no segundo encontro o deixei. Sem mais, sem menos.


Odeio não terminar um livro, fiquei com uma sensação de vazio ou de incompetência mental. Mas o Sro Cinza foi demais com seus desejos sadomasoquista. Mas sempre é bom tentar novos relacionamentos, mesmos o de autoajuda. Realmente aquele homem precisa de muita ajuda. E sua autora também.


Temos que escolher bem quem levamos para cama. Pois esse momento é somente seu e mesmo que seja compartilhado a sensação não é igual para todos. O prazer pode ser diferente e a hora do tão esperado gozo, pode não rolar dependendo do clímax dos personagens.


Ler sempre é prazeroso mesmo que o livro seja ruim. Pois "Tudo que é ruim é bom pra você". E a cada leitura você se torna mais crítico e suas escolhas e gostos se tornam melhores. Assim como as escolhas amorosas, um dia você vai cansar do bom sexo e do pouco papo. Ou muito papo e pouco sexo. Sei lá. 
 Um livro nos leva a mundos imaginários e preenche um vazio nas horas de solidão. Ele transforma a vida de uma criança para sempre. Hoje a concorrência  dos livros são as redes sociais, mas o dia é longo e temos espaço para tudo, com moderação.


Sei que ainda tenho que ler muito. Para melhorar a falta de minhas concordâncias, minha falta de acento e meu vocabulário verbal. Fora a virgula que com ela ou sem ela a frase fica terrível.


Mas é lendo e aprendendo e lendo, lendo e lendo que um dia quem sabe escreverei como o sro Machado. E terei um filho chamado Casmurro.

sábado, 6 de setembro de 2014

A MÃE PRETA DAS CRIANÇAS BRANCAS

Mamãe mulher forte, nordestina, com histórias que dariam um bom livro. Um livro com alegria e muitas tristezas, veio grávida de mim para São Paulo. Imaginem sua história. Nordestina, negra, grávida abandonada à sorte do destino. Saiu de sua cidade carregando a vergonha em sua barriga. Deixou sua família, seus amigos, com vergonha de uma gravidez indesejável por um homem que não assumiu suas responsabilidades. Quando eu nasci com um mês de vida minha mãe teve que ir trabalhar, pois morávamos de favor na casa de uma amiga. Eu nem tive tempo de sentir o seu leite materno. Imagino suas tetas petrificadas junto com seu coração. Sensação de abandono, pois ela dormia no emprego e eu ficava com uma cuidadora. Porem, não tinha outro jeito, se viu com uma filha sem pai que somente podia contar com uma pessoa. Ela. Logo nesse emprego, fomos salvas por dois anjos. Que logo viriam a ser meus padrinhos.
Muito cedo em Nazaré da Mata (Pernambuco) minha mãe foi trabalhar em "casa de família", assim como minha avó e assim como minha bisavó. Uma geração de mulheres semi-analfabetas que além de sofrerem abusos domésticos, sofriam abusos físicos em seus lares.
Aqui em São Paulo minha mãe se casou e desse casamento nasceram meus dois irmãos. Com a ausência financeira de meu padrasto ela teve que arrumar um emprego para dormi. Passei a ser a mãe dos meus irmãos, pois minha mãe nunca estava em casa. Eram natais, réveillons, aniversários. Ela nunca estava lá. Trabalhava muito para nós dar o melhor. Mas isso teve um preço, eu comecei a ter baixo rendimento escolar e logo veio o primeiro amor. Ah, o primeiro amor, a gente nunca esquece, e se você é uma menina negra que tem baixa autoestima, isso pode fazer a diferença para toda uma vida. Mas hoje não quero falar do meu primeiro amor, que Deus o tenha bem longe de mim, estou aqui para contar a história de minha mãe. Eu nunca imaginava o quanto ela era infeliz longe dos seus filhos. Passou a vida cuidando dos filhos dos outros. Lembrei muito de sua história no filme The Help (Título original) que no Brasil veio com o título de “Histórias Cruzadas”. O filme conta a história das empregadas negras “domesticadas” que deixam suas famílias para cuidar da casa da elite branca. Em meio a luta pelos direitos civis americano, essas mulheres nunca tiveram voz e direitos trabalhistas. 






Minha mãe passou a vida limpando a bosta dos outros, não tinha tempo para ela, não tinha tempo para o amor e sempre se colocava em segundo plano. Ela sempre foi extremamente contra eu ir trabalhar como empregada domestica. Muito tempo depois me contou que não queria que eu sofresse as humilhações que ela sofria. E que eu não iria limpar privada dos outros. Eu não fazia ideia do quanto ela sofreu. Seu único desejo era que seus filhos estudassem, lembro até hoje a primeira vez que eu li o nome do itinerário do ônibus para ela. Sua voz ficou tremula e seus olhos brilharam de emoção. Agora não sentiria mais vergonha de perguntar para um estranho, pois sempre usava a desculpa que tinha esquecido seus óculos em casa. Minha mãe começou a trabalhar muito cedo em “casa de família”. Era apenas uma criança, minha avó teve que tira-la da escola para cuidar de seus irmãos mais novos. Pois meu avô fugiu de casa a deixando com seis filhos pequenos para sustentar e assim mais uma analfabeta na família. Quando fui fazer a primeira faculdade ela enchia os pulmões de orgulho é falava para as amigas "Paulinha esta na faculdade". Tudo que ela queria era que eu não limpasse a bosta dos outros. Assim que eu adquirir uma consciência política entendi melhor a minha mãe. Minha mãe infelizmente se embranqueceu (autonegação). Ela não gostou nada quando eu parei de alisar os cabelos e odiava o novo colorido do meu guarda roupa. Eu estava me descobrindo como mulher negra  e não tive o apoio de minha mãe nessa nova fase. Ao mesmo tempo foi doloroso e solitário mas deliciosamente libertário. Mas não somente isso me incomodava nela, essa negação tinha justificativas, ela foi ensinada a não se aceitar, o que mais me irritava era quando ela votava nos candidatos de seus patrões.Você acaba querendo se vestir igual a eles, falar como eles e votar nos candidatos deles, mas você nunca será um deles. Antigamente muitos empregados eram induzidos a esse tipo de voto. E com ela não era diferente. Mal sabia minha mãe que esses candidatos não fariam nada pela classe das domesticas. E somente iriam privilegiar o dono da “casa grande”.
Seus patrões sempre elogiavam a minha inteligência e eu agradecia com uma ponta de vaidade. Mas depois entendi que, o que eles se espantavam, era como a menina negra filha da empregada que não queria entrar na “casa grande” infelizmente eles não podiam aplicar a Lei do Ventre Livre. 
Mamãe dormia em quartinhos apertados, muitas vezes sem janela, somente com a cama e um guarda roupa, tipo uma versão moderna da senzala. Seu uniforme era impecável, sempre teve boas recomendações. Não ganhava mal, entretanto, tudo na vida ficou muito caro. Principalmente o não acompanhamento da infância dos seus filhos. Não estava quando meu irmão começou a andar, não estava quando eu perdi a virgindade, não estava quando o mundo do lado de fora se transformava em cores e valores. Ela precisava cozinhar, limpar e cuidar de filhos que não eram seus. Nas suas folgas eu podia ter a minha mãe de volta, mas ela estava sempre cansada e com seus pezinhos inchados de tanto ficar de pé.
 Hoje me graduando em História, vejo como essa forma de tratamento ainda lembra as "escravas da ama de leite".  

Uma vez minha mãe chegou chorando, disse que a filha da patroa tinha gritado muito com ela. Esse tipo de tratamento dado às empregadas domestica remete a tratamento que era dado às escravas. Eu a instruir a processá-los, mas na cabeça de minha mãe eles eram também como de sua "família" e ela morria de medo de perder o emprego. Outra patroa disse que se ela perdesse o emprego nunca mais trabalharia para mais ninguém, que ia morrer de fome, pois ela possuía contatos e iria “queimar suas referencias”. Provavelmente na falta da chibata usou sua língua para aplicar o castigo. Essas mulheres sofrem caladas com um chicote invisível, com marcas que somente elas podem enxergar. Ela tinha muito amor por aquela família e sabia o seu “lugar”. Mesmo sendo considerada da “família” minha mãe aprendeu do jeito mais difícil, na dor. Quando descobriu que a família a quem dedicou 10 anos de sua vida não pagava direito seu INSS. Clamava a Deus porque tamanha injustiça, mas a justiça do homem branco (rico) não é a mesma para o negro. Ela somente queria se aposentar e limpar a sua própria privada.
 Porem, hoje ela tem outra consciência, seu voto é melhor e até gosta do meu Black Power. Ainda acredita na democracia racial. Mas descobriu que existe uma coisa incrível no mundo, um bom advogado sedento por uma boa ação trabalhista. Quanta humilhação minha mãe sofreu calada em todas essas casas que trabalhou, tinha medo da nossa reação ao relatar os abusos que sofria de seus patrões. Tinha medo que seus filhos morressem de fome. Ela lutou muito para eu não ter o mesmo destino que ela. Sempre me dizia como era difícil sua vida e eu muito pequena nunca entendia, pois mesmo trabalhando muito, sempre tinha um sorriso cansado para seus filhos. E mesmo distante sempre mandava muito amor. Assim como eu minha mãe mudou. Ela ainda acha que não existe discriminação racial e ainda acha que eu sou morena rsrsrsrsrs. Mas me ensinou  que limpar privada dos outros será por opção não por obrigação. Lembro de uma frase que sempre me ajudou nos momentos difíceis "Paula quando alguém te humilhar, levanta a cabeça e começa a rebolar". Se hoje sou o que sou e tenho o que tenho devo tudo a ela, que por muito tempo
 não foi só minha mãe, mas também foi mãe de outras crianças brancas.


Diretos

Derivada de uma sociedade escravagista, o Brasil depois de 125 de abolição da escravidão, tem uma lei voltada para classe dos trabalhadores domésticos. Considerado como um avanço histórico, a emenda equipara os direitos trabalhistas dos empregados domésticos aos dos trabalhadores formais. Com a mudança os trabalhadores domésticos passam a ter garantidos direitos como salário-mínimo, férias proporcionais, horas extras, adicional noturno e o FGTS, que antes era facultado ao empregador. Essa mão de obra barata que abastece o país por tantos anos, somente agora tem seus direitos garantidos por lei. Em um sistema opressor de oligarquias com origem na divisão racial e a falta de consciência de classes que ainda perdura até os dias atuais. 





Com uma das maiores contribuições para a construção do país, as mulheres negras ainda ocupam cargos de menor hierarquia social e desigualdade racial. Seus salários são os menores do mercado e ainda é lhe cobrado o embranquecimento para merecer a vaga de trabalho. Com uma divisão de segregação os bairros nobres de São Paulo somente recebem essas mulheres para trabalhos domésticos. Na sua maioria residem na periferia, onde a força policial não está ali para proteger, mais sim para coagir e as colocarem em seus devidos lugares. Levando seus filhos na calada da noite com abordagens desumanas com total brutalidade policial. Administradores da casa grande e da senzala mantendo a moral e os bens da boa “família rica brasileira” a policia militar contribui diretamente para o genocídio da população negra. Fazendo a manutenção do sistema de opressão para manter a ordem e o progresso de seu país. Reaja ou será morto

Com as revindicações dos movimentos sociais a mulher negra vem buscando seu espaço e lutando contra as desigualdades. Busca oportunidades iguais e começa a superar o esteriótipo da "negra brasileira". Lutando todos os dias contra a sua invisibilidade social e  adquirindo a cada dia mais consciência politica e graduações.

 Mesmo com todos os dados e relatos de opressão que essas mulheres sofrem, o brasileiro ainda tem muita dificuldade de aceitar as politicas públicas, como cotas para afro-descendentes por exemplo. Mas o que esse brasileiro não vê ou finge total demência. Que como uma geração de mulheres de minha família tem um auto grau de alfabetismo e seus trabalhos sempre foram como empregadas domesticas? Será que nunca ninguém me perguntou o por que? Por que você e a primeira mulher da sua família a entrar para uma universidade? A frase que mais explica essa pergunta é do antropólogo Kabengele Munanga: "Quem vai limpar a casa grande se agora os negros frequentam a universidade?"


Referencias

http://historiascruzadas.com.br

http://www.geledes.org.br/longa-transicao-de-escrava-empregada-domestica/#axzz3CYvgrOBV

http://portal.mte.gov.br/imprensa/pec-das-domesticas-e-aprovada.htm

http://www.viomundo.com.br/politica/kabengele-munanga-a-educacao-colabora-para-a-perpetuacao-do-racismo.html

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Limpeza de Seu Templo

Sabe aquele dia que vc não quer sair da cama e já sabe que todo o seu dia será uma bosta.A intuição feminina é tiro ao alvo.E na maioria das vezes certeira.
O seu corpo fica diferente,ele incha vc se senti a ultima das moicanas,acha que seu cabelo esta horrivel,fica espantada de quanto engordou em 3 dias e para piorar tem uma vontade secreta de matar o primeiro que atravessar suas idéias.Ficamos no grau máximo da paciência.


A TPM é a inimiga do homem não da mulher,acho que toda mulher tem direito a ter o seu dia de fúria e colocar a culpa em alguém.Somente acho que Deus não precisava mandar a dor junto.Causa e efeito.


Temos uma relação de amor e odio com nossas "regras".O amor quando ela atrasa,mas ai ela desce e você agradece aos ceus .E o odio quando com ela vem a dor e a mudança repentina de humor.Segundo especialistas a tensão pré-menstrual pode aparecer até duas semanas antes da menstruação e com ela, diversos sintomas que causam um enorme desconforto e podem até afetar a rotina diária das mulheres. Nesse período, as alterações nos níveis hormonais provocam transformações principalmente do humor feminino. Algumas mulheres ficam a beira de um ataque de nervos, outras ficam abaladas emocionalmente ou com uma fome incontrolável.Em culturas primitivas, como no Egito Antigo, a mulher devia permanecer isolada, quando de sua primeira menstruação. Diz o Levítico que "a mulher que tiver um fluxo de sangue em sua carne permanecerá sete dias na sua impureza. Quem a tocar será impuro até a noite. Todo o leito em que dormir, todo o objeto sobre o qual se sentar será impuro. Já Plínio repete em sua "História Natural": "A mulher menstruada estraga as colheitas, devasta os jardins, mata os germes, faz caírem os frutos, mata as abelhas; se tocar no vinho dele faz vinagre, o leite azeda..." Quanta ignorancia ou melhor falta de informação.Foi Aristóteles quem afirmou ser a menstruação um sinal de inferioridade feminina diante do masculino; o inverso do que diziam as culturas americanas  primitivas que acreditavam que as mulheres neste período estão em estado especial.

Mas havia também  culturas nativas onde as "regras" era reconhecida como um “Momento de Poder”.Esse período da 


vida da mulher tudo era diferente as "Regras" era aceita como algo natural e não existia TPM.Um mundo perfeito.


Era muito importante fazer a menina

 entender que havia se tornado mulher,o significado dessa

mudança e passar a conhecer os deveres que desde então terá 

de cumprir, e também problemas inerentes à fecundação em 

período de vida impróprio.Era um rito de passagem,os ritos 

de passagens são muito  importantes na tradição antigas,e são 

ainda preservado na cultura de alguns países nos dias de hoje. 



 

Acho muito surreal os comerciais de absorventes onde a mulher esta sempre feliz vestida de branco e quando passa todos os homens percebem sua presença vibrante.Meu Deus do ceú,em primeiro lugar branco e a minha última opção pois tem meses que parece que meu utero que sair de meu corpo,em segundo quando estou nos meus dias de "regras" principalmente se estou na TPM não fico mostrando meus dentes para ninguem e terceiro o que menos quero e atenção dos homens.Pois parece que todos sabem do nosso "segredinho" que bobagem a nossa.  
 
  



Nem todo mês tenho TPM e na maioria dos mêses me sinto bem,mas quando ela vem parece que quer me castigar por todos os meses de paz. 
Gostaria que ao menos uma vez na vida meu marido tivesse nos dias de "regras",percebesse minha solidão e minhas dores.E teria a noção do perigo pois as vezes quero mata-lo com uma panelada na cabeça Muitas vezes maltratamos os homens por sua incencibilidade e falta de tato com a mulher na TPM. Toda mulher tem direito de ter seu momento Odete Roitman nem que seja uma vez por mês.

Na realidade seu marido,namorado,amigo,irmão enfim toda a espécie masculina sempre no fundo vai achar (mas eles nunca confessaram) que  tudo não passa de frescura e é mas um joguinho seu para ter atenção,uma desculpa para ter uma DR (discutir relação) bem na hora do jogo do time dele . 
Vou confessar uma coisa a vocês.Uma vez foi para a faculdade virada (sem dormi), tinha ido para o Sintonia mas tinha um trabalho muito importante da aula de Linguagem Musical (a professora era uma chata).Ela me pegou dormindo na aula,na hora que ia me passar aquele Sermão da Montanha eu na minha malandragem da Bela Vista disse; "professora estou com muita cólica por isso estou aqui descansando um pouquinho". Ela ficou com tanta pena que me dispensou do trabalho e ainda me deixou dormi a aula inteira.Entre as mulheres existe uma irmandade em relação a este assunto.Pois sabemos como sofremos pra valer quando temos cólicas.Neste dia não estava com cólica coisa nenhuma.Queria curar minha ressaca de tanto que eu dancei na noite anterior.
Deus em sua infinita sabedoria sabe o que faz, imagina um homem na TPM com cólicas reclamando o dia inteiro e fazendo "draminha barato" pô meu só por causa de uma coliquinha de nada.Sai dessa abra uma cerveja bem gelada que passa.Não,não é melhor não. O mundo seria um caos.Seria sangue nos "zoio".As regras são fundamentais para as mulheres.È uma limpeza mensal e extremamente necessária uma verdadeira limpeza do seu corpo,de sua alma de seu templo.E è por este motivo que adoro ser mulher mesmo na TPM
 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O que o cabelo fez para ser chamado de ruim?

Ao passar pelo blog de meu amigo Marcio Macedo (new york Kibe) que eu adoro ler.Fiquei boba com o Post "Vai um cabelo ruim ai".Onde vemos a real visão do Brasileiro sobre cabelos. Assistam o vídeo.
Há quase 6 anos uso meu cabelo crespo e confesso que ainda não me acostumei com as diversas reações das pessoas.Não quero criar nenhum tipo de discussão com as mulheres negras que alisam o cabelo.Acho que seria a ter outro preconceito de minha parte.
Mas a ditadura do cabelo liso vem se arrastando por anos e anos e como toda mulher que se preze com certeza você não gosta de algo em você.Nas mulheres negras 80% com certeza responderão que não gostam de seu cabelo.
A real é que temos uma visão preconceituosa sobre cabelos no Brasil.
Eu particularmente odeio qd falam que meu cabelo e ruim.Então existe em meu corpo uma parte que não presta e que tem que ser exterminada com o bom e velho alisante.



Eu como a maioria das meninas negras não gostava de meu cabelo.E minha mãe logo resolveu este problema me levando ao salão para um bom tratamento capilar. Lembro como se fosse hj,sair do salão e pela primeira vez sentir o vento em meus cabelos. Como foi bom sentiu-lo e ter a ilusão que todos meus problemas acabariam naquele dia. O cabelo é a moldura do rosto e para alguns a beleza máxima da mulher, A apresentadora Regina Casé em uma entrevista disse que o brasileiro não tem preconceito "ele tem preconceito de cabelo". Se você é negra, mas tem o cabelo liso, tudo bem você é igual a uma mulher branca. Mas se você é negra e tem o cabelo "Pixaim" amiga você tem um grande problema. Grande ilusão, o preconceito chegará em sua vida de qualquer maneira. Com ele liso ou crespo. Acho que para mim a decisão de não alisar mais meus cabelos, foi a mais difícil de ser tomada. Depois de todas as críticas foi libertador. Como se toda a verdade me forjasse mais mulher, mais negra mais livre. Livre do ferro e dos grilhões dos colonizados. Foi a minha alforria da beleza. O vento desta vez soprava forte e pela primeira vez eu realmente o senti de verdade.

O mercado para cabelos Afro cresceu muito e hoje há produtos realmente qualificados para soltar suas madeixas. O problema não é alisar o cabelo, mais sim despreza o crespo que sempre fará parte de você. Sacrificar a sua diversidade e a sua beleza natural. A saúde de seu cabelo. Pois vale muito mais um cabelo liso todo queimado nas pontas e desidratado do que o seu cabelo natural "ruim".
Músicas racistas somente agregam o preconceito sobre o cabelo Afro. Ja escutei de muitas negras as seguintes frases: "nossa queria ter a coragem de deixar meu cabelo que nem o seu"."Nossa porque você não passa um alisante neste cabelo vai ficar linda." Caralho eu sou linda assim mesmo.




Acho que temos que mudar está imagem. E passar para futuras gerações o orgulho que temos um cabelo tão bom quanto os outros. Fico realmente triste quando vejo crianças tão novas usando química no cabelo. Isso é um crime. A ditadura da beleza está diretamente ligada a tv e as revistas de beleza. Se você vê um personagem na rede Globo que tem o cabelo Black Power você começa a achar normal. Se não tem está referência todos de black que você encontra na rua estão fora do padrão de beleza.




Queridas mamães negras mesmo que sua filha quando crescer queira ficar com o cabelo igual da Xuxa, façam que elas tenham orgulho de seus cabelos. De sua cor e toda uma história de preconceito. Minha mãe sempre escondeu de mim o racismo. Não a culpo pois toda mãe quer proteger seu filho, mas acho que seria mas forte se soubesse toda a verdade enquanto era nova. Pois quando você cresce e ver a realidade doí muito mais. E ver que tudo que você acreditou era uma ilusão. As princesas são brancas do cabelo liso e o príncipe não vai nem olhar para você. Quando eu era criança um menino disse que não iria dançar quadrilha comigo pois eu era feia, negra e tinha o cabelo duro. Nossa guardei isso comigo por um bom tempo, mas superei o trauma e me orgulho da minha cor e do meu cabelo. Já ensino para meu filho (Rakim) ter orgulho de seu cabelo e de suas origens. Pois ele vai saber usar suas armas se um dia o racismo chegar em sua vida.
Não vamos ser hipócritas, cabelo crespo dá trabalho. Claro que dá. Mas com certeza dá menos trabalho que ficar alisando em 3 em 3 meses. Então minha queridas irmãs. Liberdade para seu cabelo. Diga não a ditadura do cabelo liso. È nega do cabelo duro é a Puta que te Pário.
 "Quem é é quem não é cabela avoa"


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Raizes

Hoje me passou pelo pensamento a ideia de deletar este blog.Me sinto envergonhada por larga-lo as traças virtuais.Quanta coisa mudou do meu último Post.Há! E para que não fique mentiras entre nós,vou logo teclando.Voltei a fumar,acho que foi um dos motivos que não escrevi mas aqui.No Post anterior escrevi uma carta de Adeus para meu amante.O cigarro.Blá,blá,blá.Mas realmente pensei que seria a ultima vez.Mas voltei.O amante voltou e bem mais atraente.Minha inspiração para voltar ao blog foi meu renascimento nos livros.Há muito tempo não lia e nem comprava nenhum livro,Logo eu que gosto de ler de dois a três livros por mês.Eu tenho total paixão pela literatura mas meu tesão acabou.Calma,calma deixa eu explicar.Sou devota de Dostoiévski e com muito custo comprei meu exemplar dos Irmãos Karamázov.Estava tão feliz,queria saborear o livro docemente e bem devagar.No estilo de Dosto,mas em uma tarde daquelas de romance de Jorge Amado com um ceú desenhado em azul.Perdi meu livro no onibus em direção a zona Leste.Você já perdeu um livro?Sabe a dor de perder?Não sei o que é pior perder um livro ou emprestar e nunca mais te-lo de volta.Mas o pior já passou como diz a música de Ivan Lins que escutei hoje Começar de novo.Não vou dizer que não li nada depois da perda do Dosto,até li mas nada que me fizesse deixar de dormi para ler.E eu adoro perder o sono por um bom livro.



No mês passado li "Não conte a ninguém" de  Harlan Coben,confesso que fui influênciada pelo vendedor da banquinha que fica ali na Marconi.E que tem livros ótimos com preços ótimos também.Li em três dias e adorei.Passei para algo menos formal e fui bisbilhotar o livro da Bruna Surfistinha "O doce veneno do escorpião".Uma literatura sacana não faz mal a ninguém e se eu ler somente Dostoíevski fico louca que nem seus personagens.A doroooooooo.Hoje comecei a ler "A menina que roubava livros" de Markus Zusak Estou apaixonada pela narradora.Como gostar assim de um Ser que passamos a vida toda a evitar (leiam o livro para saber de quem falo)Só mesmo na literatura.Hoje comecei a assistir Raízes no canal a cabo na TCM.Um canal onde só os clássicos tem vez.Ver um clássico faz bem para a alma.Eu sempre tive vergonha de falar que não tinha assistido Raízes.Pronto confessei.EU PAULA KRISTINA NUNCA VI RAÍZES.Sempre nas rodas de negros intelectuais a minha desculpas era sempre a mesma "é realmente Raizes e muito foda" mas não entrava em detalhes.Mas quem é este tal de Kunta Kinte de quem eles estão falando?Quem é este cara meu?Mas nunca perguntei por medo de colocar minha negritude em evidência.Não que era mentira,mentira eu assistir, foram duas vezes vai.O sinal era horrível do Sbt e a antena de casa funcionava na base do bom bombril.Acho que Kunta não apareceu nas cenas que vi.O SBT tem a minha admiração nesta parte, Silvio Santos gosta de um pretinho básico.È o unico canal que sempre passa séries e filmes de negrão.Acho que em uma de suas reencarnações Silvinho descobriu que era da tribo Zulu.


Eu assistia os desenhos do Sbt somente para ver o super Shock.Mas cá entre nós ele é um gatinho de dreadlok.Mas voltando aos livros e ao blog vou me dedicar mais.Não vou deletar nada.Fica assim mesmo com meus erros de português e a falta da boa gramática.Acho que todo Blogueiro já passou por está crise.Mas que bom voltar a ler,a escrever.Me sinto bem melhor agora.
Até aproxíma blogada.

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Dá- me a luz, dai me o fogo"

Quando o conheci estava em um momento muito fragil e triste de minha vida.Não posso dizer que fui seduzida,pois já estava com mais de 20 anos e já sabia o certo e o errado.Não faltaram conselhos  para não me aproximar.
Tinha acabado um relacionamento de 6 anos e estava aos frangalhos.Não foi ele que me procurou mais sim eu.Achei que com ele todos meus problemas sumiriam.Não se cura um amor com outro?E assim eu o fiz.No começo foi um caso banal e somente o procurava uma vez por semana.Mas depois me tornei dependênte de tudo nele.Passava o dia inteiro com ele.
Era uma relação prazerosa, mas tudo que passa a ser dependência não tem um final feliz.


Não conseguia mas larga-lo.E olha que tentei.Entre indas e vindas eu me culpava por não colocar um final na relação.Acordava e a primeira coisa que fazia era procurar seu colo.Seu cheiro estava perfurado em minhas mãos,em meu cabelo, em minha pele.E quando não o achava em meu alcance tinha muita ansiedade.Ele me ajudava a ser mais social e porque não, à conhecer novas pessoas.Depois do sexo era nele que pensava.

Durante mais de dez anos nos aturamos.E mesmo com um alto grau de dependência,ele me ajudou em momentos felizes e tristes de minha vida.
Durante minha gravidez tive que deixa-lo.Ou era ele ou meu filho.Escolhi meu filho sem pensar.Com esta separação engordei e fiquei neurótica.As mudanças de hormônios tb ajudaram.
E nos momentos de alegrias e tristezas ele não estava mais lá.No nascimento de meu filho ele não estava lá.Como queria vê-lo depois do parto.Toda mulher merece, pelo menos nesta hora de grande bravura.

Nossa separação durou um pouco mais de 1 ano.Impensavelmente o procurei e mesmo sem seus vestigios em meu corpo, insistir na volta.
Não preciso dizer como fui criticada por procura-lo depois de tanto tempo longe.Quem nunca errou atirre a primeira bituca.
Hoje já faz quatro semana que não o procuro.Prometi a mim mesma que essa dependência teria um final.
E a cada dia sinto menos sua falta.O seu cheiro não esta mais em mim,jã posso respirar melhor,caminhar melhor e em meus beijos não trarei mas seus pensamentos.


Espero que ele seja feliz.Mas que seja feliz sozinho.Não serei chata em ficar criticando quem o tem.Ele foi bom para mim enquanto durou.Mas tudo tem um fim.Estou naquela fase "somente hj" e espero que nunca mais.Foi muito dificil a separação mas não posso aceitar esta dominação.Sou muito mais forte que ele.E não vou deixar que me leve, como o fez com tantas pessoas queridas.Por pura vaidade ou falda de vontade de dizer Stop.
Fico com vontade quando o vejo em outras mãos,em outras bocas e até invejo quem o possui.Mas também tenho orgulho por minha decisão de deixa-lo.
Agora serei feliz mesmo sem sua presença.
Mesmo sem sua falsa companhia.Mesmo sem seu alto poder de sedução.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Billy elliot

Por que toda vez que estamos na beirar do abismo quase a cometer suicídio temos a infeliz ideia de ligar a tv. Parece caso do destino.O sujeito na merda e tudo que ele quer é ouvir uma voz de um anjo enviado por Deus dizendo: "tudo vai passar você é um dos preferidos do homem lá de cima.Relaxa".Mas não, a mão coça e somos tentados por uma voz do mal que diz: liga a tv você vai relaxar mais depressa.Esta semana estava nesta situação.E ao invés da visita do anjo do bem,recebi a visita do anjo do mal e assim como Eva (grande mentira) fui tentada a pegar o controle e zappear sem parar.Sempre encontramos um filme que ao invés de levantar nossa moral nos leva as lagrimas e soluços.Assim também o noticiário onde nos faz pensar que o mundo está chegando ao fim.

O filme em questão foi Billy Elliot.Filmaçooo!!!
Para quem me conhece sabe que além de dormir adoroooooooooo assistir filmes e + filmes. Já tinha assistido este filme,mas quando estamos abertos a tristeza parece que tudo fica mais claro e emotivo.

Na história Billy é um menino de 11 anos que vive em uma pequena cidade da Inglaterra,onde o principal meio de sustento são as minas da cidade.Obrigado pelo pai vai treinar boxe,mas Billy fica fascinado com a magia do balé pois as aulas são na mesma academia. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters) que vê nele um talento nato para a dança ele resolve entrar de corpo e alma e pendura as luvas de boxe.Mesmo tendo que contrariar a vontade de seu irmão e seu pai.




Fiquei apaixonada pela a história de Billy e mais ainda com o ator que o interpretou (Jamie Bell).Jeito de menino cara de homem com um sorriso lindo.Hoje ele tem 25 anos e mesmo não tendo a mesma beleza seu sorriso ainda encanta.O filme tem muitos clichês mas não deixa de ser leve,sensível com ótimas escolhas do elenco.Foi o primeiro longa-metragem do diretor Stephen Daldry que até então trabalhava somente com o teatro.Acertou na mão de primeira.O bom do filme e que ele não é pretensioso ao passar uma lição de vida,ele tinha tudo para isso( assista e verá) mescla  a ótima interpretação de Jamie Bell e a maravilhosa trilha sonora que casa com cada cena.Não é a toa que na cerimonia do Osca quase sempre tem uma cena de Billy Elliot.


http://www.youtube.com/watch?v=JoiVEyCosEE

Veja o Traler do filme.


Vai ai a dica para um bom filminho. Alias o anjo mal não fez tanto mal assim,pois além das lagrimas me veio o grande desejo de sair dançando como Billy Elliot. E minha alma ficou lavada com a energia de sua determinação.